sábado, 7 de novembro de 2009

Fado, Futebol e Fátima

3 dias depois (ou algo assim, fico baralhada com os fusos horários) chegamos a Lisboa. E tivémos o bonus de ver logo uma mão-cheia de caras que não víamos há uns meses :) Cada café que se combina é sempre uma alegria porque vamos ver alguém com quem não estamos há algum tempo e de quem temos saudades (vá, e porque também tínhamos saudades do café português). Tentamos escutar todas as novidades para perceber como estão as amizades, as relações, a saúde. e felizmente não há nada de mal a assinalar. Apesar disso o choque foi muito maior a voltar. Saímos do Panamá para Amsterdão, não podíamos ter escolhido ambiente mais citadino. E estava frio. E havia muitas lojas, pessoas "fashion", carros, euros, monumentos, tudo coisas que já não estávamos habituados. Em casa as novidades continuam, apesar de continuar tudo mais ou menos na mesma. Enfim e para resumir é estranho estar de volta, óptimo por todas as coisas que adoramos, e mau por todas as coisas de que detestamos.
A Costa Rica já (!) parece algo distante pela grande diferença que é de cá, mas "seguro de que hemos traído cosas que estará con nosotros siempre".
Fazer voluntariado e/ou viajar assim não é algo que agradaria a toda a gente, nem devia ser assim, felizmente somos todos diferentes, com diferentes objectivos e maneiras de viver. No entanto se alguém me viésse dizer que estava a pensar fazer algo do género iria de certeza apoiar, dizer que há muitas, imensas pessoas a fazer o mesmo, que se ia sentir bem depois de o ter feito, e que a forma como vê as coisas antes de partir não tem nada a ver como as irá ver depois de voltar.
Tempo de responder á pergunta "e agora"? Bem, agora temos estes fantásticos dias para ouvir novidades e combinar cafés. Depois vamos ter de ver se arranjamos emprego. E depois logo se vê.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Raio X e Panamá 5*

A América Latina nao nos quer deixar ir embora! O nosso voo de Panamá City para Amsterdao foi cancelado devido a problemas técnicos... Fomos obrigados a jantar 2 vezes e passar a noite num hotel 5* na capital do Panamá. Pequeno almoco, almoco, cartoes telefonicos e transporte incluídos! Uma recomendacao: se puderem comprem voos da KLM :)
Mas nao é tudo! No aeroporto do Panamá (provavelmente devido ao nosso bom aspecto) fomos gentilmente convidados juntamente com um pobre escoces a fazer um Raio X ao estomago. LOLOL! Foi hilariante! Tivémos direito a polícia bom, polícia mau e cao. Como nao teve sorte connosco, o polícia mau convidou outro senhor dos seus 50 anos a fazer o mesmo...
Para finalizar, hoje é dia da bandeira no Panamá, ou seja tivemos direito a parada militar em frente ao hotel!
Depois do almoco (aqui sao 10:00h) vem-nos buscar para irmos para o aeroporto... Na pior das hipóteses acontece o mesmo na Holanda... Chatisse pá!

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Feliz Cumpleanos!

Foi no passado dia 29 que o Helder "casou os anos", e como se nao bastasse, fe-lo na Costa Rica numa reserva indígena.
Nos dias anteriores foi uma dor de cabeca para saber o que fazer e como, afinal nao sabia quais os hábitos dos Maleku relativamente aos aniversários, mas tudo acabou por correr bem. A prenda compramo-la juntos (algo que nao gosto de fazer, gosto do factor surpresa), e foi (tinha de ser) uma machete. Sem que ele se apercebesse comprei-lhe também uma pinnata. Aqui éxistem á venda em todo o lado, de todos os formatos e cores, e tenho a dizer que vou importar este hábito festivo para Portugal. É mega divertido para todos - haviam de ver a família toda (criancas, pais, avos, tios) a atirarem-se aos doces... Nos claro ficamos a anhar até percebermos que tinhamos de fazer alguma coisa se queriamos ter alguns rebucados...
Mas o que mais se destacou neste aniversário foi mesmo a bondade das pessoas. Como já devem ter percebido sao pessoas simples e sem muitos recursos, mas fizeram tudo o que podiam para que o Helder tivesse o SEU dia. Nao trabalhamos, fizeram a comida, disponibilizaram a sua casa, juntaram a família toda, cantaram os parabéns 2 vezes em Espanhol e uma vez em Maleku. Sentimo-nos mal com tanta boa vontade, mas tenho a certeza que o Helder nunca vai esquecer o seu aniversário!


Oropel

Como vos temos apresentado todas as cobras venenosas (ou quase todas, da coral nao há foto) que temos tido o prazer de nos cruzar, nao podíamos deixar de deixar aqui o registo da mais bonita que vimos! Uma Yellow Eyelash Pit Viper que vive na reserva. A primeira vez vimo-la á noite (nao, nao estava perto da nossa casa) e depois fomos procurá-la de dia. Estava calmissima no seu tronco, e aqui fica o registo!

Fotoreportaje - Rio Celeste

Nada se faz sem um pouco de esforco... Mas temos a dizer que estamos na nossa melhor forma física!
Adivinhem la porque se chama Rio Celeste...


O sítio onde a água se transforma

Banhoca em águas termais. Quente, muito quente, mesmo para quem nao tomava banho em água quente há um mes.

Mais um belo exemplar da fauna Costa Riquenha!
Para quem tenha ficado intrigado, a cor da água deve-se aos minerais que vem do vulcao :)

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Fotoreportaje - Caño Negro


Fim de semana de turistas :)

Comendo gelados estilo Tico: dentro de um saco de plástico

O nosso barquito

Em pleno passeio pelos canais

Caimoes (os tais que o Helder QUERIA fazer festas)...

Basiliscos (os tais que correm em cima da água), aves... vida animal com fartura!


A aventura com os autocarros fica pa contar pessoalmente! Digamos que foi um fim de semana feliz :)

E o país mais feliz do mundo é... (II)

Na Costa Rica a maioria das pessoas vivem em casas ao nível daquilo que nós consideraríamos barracas. Sao vazias, nao sao aquilo a que nós chamamos "decoradas". Umas nao tem sofá, outras nao tem televisao, devem ser poucas as que tem playstation.
O desemprego e a crise também chegaram aqui. Ter uma mota é um luxo, nao conhecemos ninguém que tivesse carro.
Estudar é difícil, custa dinheiro e as escolas sao longe.
Uma crianca nem sempre tem um bolo de aniversário, muito menos uma prenda.
No entanto quando perguntamos a alguém "¿Como está?", nunca ouvimos um "Vai-se andando". Sorriem sempre.
Tento recordar-me de ouvir um Tico queixar-se de qualquer coisa e nao me lembro.
Podemos falar-lhes das muitas coisas que temos, de como os outros países sao evoluídos, mas eles amam a sua Costa Rica.
Ocupam com naturalidade largas horas em autocarros a caír aos pedacos para irem á cidade comprar tudo aquilo que o micro supermercado da aldeia nao tem.
De certeza que gostavam de ter mais "coisas", mais dinheiro, um emprego melhor, mas eles sao simplesmente Pura Vida!
Estranho. Se nao estivesse aqui a viver isto nao acreditava...

O Papalagui (ou Chiútí em Maleku)

O Papalagui é um livro que me foi recomendado pelo sr. Brolock e depois me foi oferecido pela Asita (obrigada!). Consiste num conjunto de discursos de Tuiavii, chefe da tribo de Tiavéa, discursos esses em que Tuiavii relata o que observou da vida dos Papalagui (pessoas nao indígenas) aquando da sua viagem a Europa. Estes discursos destinavam-se ás pessoas da sua tribo, nunca foi seu objectivo vê-los publicados (aliás, acho que o foram sem o seu consentimento).
Tuiavii nunca havia tido qualquer tipo de contacto com o nosso estilo de vida, para além de os discursos datarem de algumas dezenas de anos atrás. Nesse sentido nao posso comparar os discursos áquilo que me tem sido transmitido pelos Maleku. No entanto ao reler este livro encontro várias semelhancas entre o seu modo de ver a vida e a dos Maleku, e que creio ser parte daquilo que é ser indígena. Uma dessas semelhancas é a grande capacidade de observacao que reconheco tanto a Tuiavii como a Luís.
Sem vos querer maçar com o estilo de vida Maleku, deixo-vos algumas citacoes do livro que revejo aqui:

"Esses baús de pedra encontram-se em grande número e muito próximos uns dos outros; nenhuma árvore, nenhum arbusto os separa; encontram-se ombro a ombro como homens, e em cada um deles há tantos Papalaguis como numa aldeia de Samoa"

"Resumindo: baús de pedra com os seus muitos homens, fundas gretas de pedra correndo de um lado para o outro, quais mil e um rios, com seres humanos lá dentro, barulho e estrondo, poeira negra e fumo por toda a parte, árvore alguma no horizonte e nada de céu azul, nada de ar puro ou nuvens - a isto chama o Papalagui cidade, criacao de que muito se orgulha"

"A verdadeira divindade do homem branco é o metal redondo e o papel forte a que ele chama de dinheiro. Quando se fala a um europeu do Deus do Amor, ele faz uma careta e sorri (...). Quando lhe estendem uma peca de metal redondo e brilhante ou um papel grande e forte, logo seus olhos brilham e a saliva se lhe assome aos lábios"

"Crede que há na Europa homens que encostam a arma de fogo á sua própria fronte, pois preferem deixar de viver do que viver sem coisas"

"Todos os Papalaguis tem uma profissao. É díficil explicar-vos o que isso é. É qualquer coisa que uma pessoa devia ter vontade de fazer, mas que raramente tem"

"O missionário do Papalagui ensinou-nos, em primeiro lugar o que é Deus; desviou-nos dos nossos antigos Deuses, dizendo que se tratavam de ídolos, isentos da natureza divina do verdadeiro Deus"


Tanto para os Tiavéa como para os Maleku o importante é "ter o suficiente para comer, um tecto que nos abrigue e prazer em participar nas festas, no largo da aldeia". O estilo de vida Maleku prima pela simplicidade, mas manter a sua cultura viva nos próximos anos será tudo menos simples.
O Papalagui, um livrinho a por na lista de prendas para este Natal :)

O Assistente de Bordo

Apesar do mau estado dos autocarros e das estradas (pouquíssimas sao alcatroadas) temos feito quase todas as nossas deslocacoes de "bus". O autocarro é o meio de deslocacao preferencial dos Ticos e como tal desenvolveram algumas particularidades, sendo que vos quero falar do "assistente de bordo".
Esta personagem que existe em algumas rotas de autocarro é basicamente um assistente do condutor e tem as seguintes funcoes:
- Ajudar as pessoas a subir e a descer para o autocarro, carregando os saquinhos, sacos e sacoes);
- Trocar os CD's;
- Recolher o dinheiro da passagem;
- Vender batatas fritas;
- Anunciar a localidade a que se chega.
Creio que é uma figura de especial importancia e fica aqui a sugestao de as companhias de transporte em Portugal incluírem este servico nos seus autocarros, como forma de atencao ao cliente e combate ao desemprego.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

A árvore da discórdia

Caso haja uma crise alimentar ou outra, o indígena consegue viver desde que tenha bosque. Esta é uma das licoes que o Luis nos ensinou, e de facto o seu conhecimento sobre plantas medicinais, frutos, raizes e outros é mais que suficiente.
A Hule é uma árvore como tantas outras que existem na floresta tropical e que nao chama a atencao por nada, pelo menos á 1a vista.
No entanto, uma "machetada" deixa a árvore a sangrar uma seiva branca que os indígenas utilizam tanto como cola para o seu artesanato como para produzir velas naturais.
As propriedades desta árvore nao passaram totalmente desapercebidas, e há alguns anos os nicaraguenses fizeram várias investidas na floresta virgem Costa Riquenha procurando a Hule para a utilizar com fins industriais. Os indígenas trataram de defender o seu bosque, e como resultado dos 27 000 Malekus que havia entao, apenas cerca de 600 restam hoje.
O valor sagrado que a floresta tem para os indígenas pode ser compreendido pelos séculos de conhecimento que sobre ela têm e que é suficiente para sobreviverem em quase qualquer situacao. Devíamos todos tornar-nos um pouco mais indígenas e conhecer melhor aquilo que de mais simples a Terra tem para nos oferecer.